sábado, 5 de novembro de 2011

Sofrimento de ser mãe

Eu sempre fui medrosa.

Mas depois de me tornar mãe, tornei-me uma psicótica!

Todos os dias, em algum momento do dia, me pego mergulhada em um esforço profundo para acreditar que o sofrimento é parte da vida e que vivos e mortos somos a mesma coisa: apenas uma ínfima parte do universo que se configura como indivíduo e depois se dissolve no todo maravilhoso novamente.

Mas não consigo... eu duvido! E sinto-me quase em pânico, antecipando na minha imaginação doentia, o dia em que a Pietra descobrir que há morte. E pior, que há morte sempre, em todas as idades. E que há mortes trágicas. E que há dores muito piores que as que ela sente quando rala o joelho e sofrimentos muito mais terríveis do que não querer tomar banho. E que há pessoas que causam essas dores e esses sofrimentos a outras pessoas. E que nada garante que algo muito horrível não vá acontecer com ela ou com as pessoas que ela ama. E que ficar pensando em tudo isso é a forma mais avassaladora de dor, de sofrimento e de morte em vida... e que ela deve acreditar que o sofrimento é parte da vida e que vivos e mortos somos a mesma coisa: apenas uma ínfima parte do universo que se configura como indivíduo e depois se dissolve no todo maravilhoso novamente...

Às vezes, olho para ela brincando concentradamente, mergulhada no tempo da ação concreta em que está envolvida, e sinto uma culpa atroz pelo fim iminente da sua inocência e início da consciência de si e do mundo que a cerca; e desejo, ardentemente, que ela seja uma pessoa mais segura que eu e possa me dizer, um dia, com leveza, só de passagem, sem dar qualquer importância: "Mamãe, eu conheço todo o mal do mundo e, ainda assim, a vida para mim é um presente!"

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