Acabei de olhar para o lado e ver a minha filha, que no momento tem 2 anos e meio, com uma caixinha de dvd no colo, dando tapinhas e dizendo "calma nenê, calma", pensei "coitadinha, ela não tem nem uma boneca pra brincar de nenê...".
Quase fui vencida pelo olhar do outro sobre mim. Através de mim mesma, o jeito "certo" de fazer as coisas me obriga a ir contra a minha fé, os meus valores, a minha coerência. Talvez por medo de alguém achar uma maldade não dar uma boneca que fala pra minha filhinha eu corresse numa loja de brinquedos super verdadeiros e comprasse um kit completo para salvá-la de se tornar uma criança estranha que transforma caixas de sapato em carrinhos e vidros de esmalte em coleguinhas da escola.
Tenho horror a bonecas que parecem nenê. Acho que herdei isso do meu pai, ele tinha um trauma de infância, pois alguém o ergueu pra ver uma criança morta em um caixão, quando ele tinha quatro anos. Então, toda boneca muito realista que ele via lembrava da imagem do nenê morto. Talvez de tanto ouvir ele contar essa história eu tenha desenvolvido uma certa aversão à imagem. A questão é que, sem querer, ou pelo menos sem pensar, eu nunca comprei uma boneca pra Pietra. E dia desses li em algum lugar (nem me lembro se era livro sério ou revista feminina) que tem alguma linha pedagógica alternativa (acho que é Waldorf) que critica os brinquedos realistas. Acho que era uma conferência do Rudolf Steiner em que ele falava que a criança que só brinca com coisas que copiam a realidade restringe sua capacidade de imaginar e simbolizar!
Será que é por isso que vivemos nesse mundo tão pobre de rituais e onde, cada vez mais, a arte vai se tornando um jogo fútil de representar o cotidiano para não perder ainda mais a popularidade?
Será que é por isso que vivemos nesse mundo tão pobre de rituais ?
ResponderExcluirOdeio saber dentro de mim a resposta
Oi Olim!!! Que prazer encontrá-lo aqui! Obrigada pela visita!
ResponderExcluirVolte sempre, as suas refexões vão combinar com as que estão por aqui!!!
E acho que não precisamos odiar as respostas negativas, né!? Podemos apenas continuar sendo diferentes, mesmo que estranhos... hahaha!
Muitos beijos saudosos!